Twitter tenta tranquilizar anunciantes após "efeito Elon Musk"

O Twitter pode ter entrado em contato com agências de publicidade para tranquilizar os anunciantes quanto aos planos de Elon Musk de acabar com a moderação de conteúdo na plataforma. Segundo o jornal Financial Times, a rede social teria garantido que anúncios jamais serão exibidos próximos a conteúdos ofensivos ou atitudes tóxicas. Mastodon "explode" após anúncio de compra do Twitter por Elon Musk 4 coisas que Elon Musk pode mudar no Twitter Musk prometeu que, sob sua supervisão, o Twitter adotará uma política mínima de intervenção, com total apoio à "liberdade de expressão" e com supostas remoções de conteúdo apenas quando houver violação legal. Há algum temor, contudo, que essa liberação aumente os casos de discurso de ódio, desinformação, movimentos antivacinas/anticiência e ataques a minorias. By “free speech”, I simply mean that which matches the law. I am against censorship that goes far beyond the law. If people want less free speech, they will ask government to pass laws to that effect.Therefore, going beyond the law is contrary to the will of the people. -Participe do GRUPO CANALTECH OFERTAS no Telegram e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.- — Elon Musk (@elonmusk) April 26, 2022 Obvio que nenhuma grande marca gostaria de se associar a coisas negativas, ainda que indiretamente, razão pela qual a luz amarela se acendeu nos departamentos de marketing por todo o mundo. O comunicado do Twitter supostamente não traz muitos detalhes técnicos de como as coisas devem funcionar, mas parece ter sido construído para frear eventuais temores de que a liderança de Musk leve a um cenário pessimista na rede. Hoje, o Twitter luta para conseguir fontes de renda alternativas que mantenham os lucros. Por enquanto, a plataforma se sustenta financeiramente com a verba dos anunciantes, em um modelo que pode ser muito perigoso para qualquer negócio, pois sofre impacto de terceiros — como o Google e a Apple. Perder potenciais interessados em injetar dinheiro para vender produtos ou serviços certamente não está nos planos da companhia. Para efeito de comparação: o Twitter teve US$ 4,5 bilhões de receita publicitária em 2021 contra US$ 144 bilhões da Meta, dona do Facebook e Instagram. Preocupação com a "liberação geral" Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), também expressaram preocupação que uma liberação total de discursos ajudem a reforçar falas racistas, tóxicas e preconceituosas. Isso seria um total retrocesso em uma plataforma que implementou ações para dar mais segurança e tranquilidade para que todos possam ter um perfil social. .@ElonMusk, if you believe in free speech on your platform, let’s talk openly on Twitter Spaces. People have a few questions and a few recommendations. https://t.co/fqIBfpmJZw — Derrick Johnson (@DerrickNAACP) April 26, 2022 O presidente da NAACP, Derrick Johnson, por exemplo, emitiu um comunicado no qual pede a Musk que garanta a liberdade de expressão, mas impeça discursos de ódio. "Desinformação, informações falsas e discurso de ódio NÃO TEM LUGAR no Twitter”, disse. Ele classificou como negativa a possibilidade de retorno de figuras como o ex-presidentre Donald Trump, porque isso seria uma "placa de Petri" para discursos de ódio ou mentiras que "subvertem nossa democracia". Musk não quer comprar a rede pelo potencial de lucro, mas sim para ter uma ferramenta de comunicação forte nas mãos. Aliás, a própria rede social já ajudou o bilionário a ganhar muito dinheiro com flutuações no mercado de cripto e com a divulgação das suas empresas Tesla, SpaceX e The Boring Company. Por envolver um toque ideológico na movimentação de compra do Twitter, Musk pode conseguir atrair a atenção de alguns empresários que apoiem sua forma de pensar. Se isso der certo, talvez os anunciantes atuais não sejam tão relevantes assim, a ponto de serem substituídos por novos. O jeito é aguardar para ver como o mercado publicitário vai reagir e acompanhar os balanços financeiros da rede social do passarinho. Leia a matéria no Canaltech. Trending no Canaltech: Manchester United x Chelsea | Onde assistir ao jogaço da Premier League ao vivo Orkut vai voltar? Criador da rede atualiza site e promete novidades Pfizer recolhe remédio após detectar substância potencialmente cancerígena Remédio da Pfizer contra covid pode causar efeito rebote, sugere relato Quatro desvantagens do Python em relação a outras linguagens de programação

Twitter tenta tranquilizar anunciantes após "efeito Elon Musk"

O Twitter pode ter entrado em contato com agências de publicidade para tranquilizar os anunciantes quanto aos planos de Elon Musk de acabar com a moderação de conteúdo na plataforma. Segundo o jornal Financial Times, a rede social teria garantido que anúncios jamais serão exibidos próximos a conteúdos ofensivos ou atitudes tóxicas.

Musk prometeu que, sob sua supervisão, o Twitter adotará uma política mínima de intervenção, com total apoio à "liberdade de expressão" e com supostas remoções de conteúdo apenas quando houver violação legal. Há algum temor, contudo, que essa liberação aumente os casos de discurso de ódio, desinformação, movimentos antivacinas/anticiência e ataques a minorias.

Obvio que nenhuma grande marca gostaria de se associar a coisas negativas, ainda que indiretamente, razão pela qual a luz amarela se acendeu nos departamentos de marketing por todo o mundo. O comunicado do Twitter supostamente não traz muitos detalhes técnicos de como as coisas devem funcionar, mas parece ter sido construído para frear eventuais temores de que a liderança de Musk leve a um cenário pessimista na rede.

Hoje, o Twitter luta para conseguir fontes de renda alternativas que mantenham os lucros. Por enquanto, a plataforma se sustenta financeiramente com a verba dos anunciantes, em um modelo que pode ser muito perigoso para qualquer negócio, pois sofre impacto de terceiros — como o Google e a Apple.

Perder potenciais interessados em injetar dinheiro para vender produtos ou serviços certamente não está nos planos da companhia. Para efeito de comparação: o Twitter teve US$ 4,5 bilhões de receita publicitária em 2021 contra US$ 144 bilhões da Meta, dona do Facebook e Instagram.

Preocupação com a "liberação geral"

Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), também expressaram preocupação que uma liberação total de discursos ajudem a reforçar falas racistas, tóxicas e preconceituosas. Isso seria um total retrocesso em uma plataforma que implementou ações para dar mais segurança e tranquilidade para que todos possam ter um perfil social.

O presidente da NAACP, Derrick Johnson, por exemplo, emitiu um comunicado no qual pede a Musk que garanta a liberdade de expressão, mas impeça discursos de ódio. "Desinformação, informações falsas e discurso de ódio NÃO TEM LUGAR no Twitter”, disse. Ele classificou como negativa a possibilidade de retorno de figuras como o ex-presidentre Donald Trump, porque isso seria uma "placa de Petri" para discursos de ódio ou mentiras que "subvertem nossa democracia".

Musk não quer comprar a rede pelo potencial de lucro, mas sim para ter uma ferramenta de comunicação forte nas mãos. Aliás, a própria rede social já ajudou o bilionário a ganhar muito dinheiro com flutuações no mercado de cripto e com a divulgação das suas empresas Tesla, SpaceX e The Boring Company.

Por envolver um toque ideológico na movimentação de compra do Twitter, Musk pode conseguir atrair a atenção de alguns empresários que apoiem sua forma de pensar. Se isso der certo, talvez os anunciantes atuais não sejam tão relevantes assim, a ponto de serem substituídos por novos. O jeito é aguardar para ver como o mercado publicitário vai reagir e acompanhar os balanços financeiros da rede social do passarinho.

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