Senado avalia CPI contra corruptos no Ministério da Educação

O agora ex-ministro é investigado na Polícia Federal (PF) por denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção operado por pastores no ministério. O chefe da pasta pediu demissão dez dias após a eclosão do escândalo que revelou a atuação do gabinete paralelo do MEC com cobrança de propina até mesmo em barras de ouro.

Senado avalia CPI contra corruptos no Ministério da Educação

O agora ex-ministro é investigado na Polícia Federal (PF) por denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção operado por pastores no ministério. O chefe da pasta pediu demissão dez dias após a eclosão do escândalo que revelou a atuação do gabinete paralelo do MEC com cobrança de propina até mesmo em barras de ouro.

Por Redação – de Brasília

Líder da Oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou, nesta terça-feira, o requerimento por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar as suspeitas de possíveis crimes cometidos pelo ex-ministro Milton Ribeiro e pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Milton Ribeiro foi diagnosticado com a doença há cinco dias
Milton Ribeiro pediu sua exoneração após ser encurralado diante das denúncias de corrupção

Após a demissão do ministro, senadores pressionam pela abertura de uma investigação que apure a atuação de pastores na pasta e a destinação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O agora ex-ministro é investigado na Polícia Federal (PF) por denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção operado por pastores no ministério. O chefe da pasta pediu demissão dez dias após a eclosão do escândalo que revelou a atuação do gabinete paralelo do MEC com cobrança de propina até mesmo em barras de ouro, em troca da liberação de recursos federais para a construção de escolas por prefeituras.

Balcão de negócios

O requerimento do senador aponta ao menos cinco suspeitas de crime envolvendo Milton Ribeiro e o presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo é classificado como, “no mínimo, autor intelectual ou mandante dos atos criminosos” pelo líder da oposição. “Não se pode admitir que um dos ministérios mais relevantes para o futuro do País e de maior peso orçamentário seja transformado em um verdadeiro balcão de negócios”, diz o requerimento.

As suspeitas giram em torno de crime de peculato, emprego irregular de verbas  públicas, corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa.  Os pastores envolvidos, Gilmar Santos e Arilton Moura, também são acusados no requerimento por possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção ativa.

A abertura de uma CPI depende da assinatura de 27 senadores e de decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que nos últimos dias criticou os critérios do MEC e as declarações de Milton Ribeiro, mas ressaltou ser necessário dar um “crédito” para ele se explicar. O ex-ministro foi chamado para uma audiência na Comissão de Educação do Senado na próxima quinta-feira, 31.

Depoimento

Além do pedido de uma CPI, o Congresso mantém de pé o plano de colher o depoimento do agora ex-ministro na próxima quinta-feira, dia já reservado pela Comissão de Educação do Senado. Ribeiro foi convidado a explicar as denúncias de que dois pastores teriam cobrado propina de prefeitos para ajudá-los a obter recursos do MEC.

Milton Ribeiro é o quarto ministro da Educação a cair durante o governo de Jair Bolsonaro.

O presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo Castro (MDB-PI), considera que Ribeiro ainda deve ser ouvido pelo colegiado. Como se trata de um convite, porém, o ex-ministro não é obrigado a comparecer.