Masculinidade Tóxica

Um paradigma a ser superado Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Querido diário, Recentemente, assisti a um documentário norte-americano que mexeu bem fundo naquela ferida não cicatrizada. Chamado “The Mask You Live In”, ele fala sobre a “máscara da masculinidade” que nós, homens, somos obrigados a vestir, desde pequenos. A verdade é que desde cedo (pelo menos para a minha geração), somos socializados de forma a nunca falarmos sobre nossos medos, alegrias e frustrações, - nem mesmo com nossos pais - de forma que não nos sentimos confortáveis para lidarmos com nossos pensamentos e emoções. Nossos sentimentos são constantemente varridos para debaixo do tapete. Afinal, fomos doutrinados a acreditar que expressar aquilo que dói “é coisa de menina” e “homem não chora”. Mas a real é que mulheres devem se orgulhar de fazer coisas como meninas, sim, e que homens também choram. Entretanto, esse modelo idealizado do que é “ser homem” ainda predomina: uma enquete de âmbito nacional, feita com 19 mil brasileiros, confirma que 72% dos respondentes foram ensinados “a não demonstrar nenhuma fragilidade" e 60%, “a não expressar emoções”. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik O resultado dessa equação é uma realidade sufocante, na qual não criamos consciência sobre nós mesmos e fugimos a qualquer custo de situações que possam nos deixar em uma posição de vulnerabilidade. Mesmo tendo à disposição pessoas de confiança ou acesso a psicólogos que possam nos acolher e nos ouvir. Toda essa frustração pode acabar se convertendo em solidão, irritabilidade, agressividade, acidentes de trânsito, depressão, vícios e, até mesmo, em casos de suicídio. Sem falar na violência, celebrada como espécie de válvula de escape e modo de autoafirmação de virilidade. Tudo para continuarmos adaptados aos moldes aos quais fomos aprisionados e continuar mantendo a postura irretocável de “macho” diante da sociedade. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Até mesmo os conteúdos que consumimos acabam por servir de reforçadores deste tipo de comportamento. Quando tudo o que leio, ouço e assisto é produzido por pessoas parecidas comigo (no meu caso, “branco, hetero, cis e privilegiado”) isso não abre espaço para a diversidade, o que me torna um homem limitado, incapaz de perceber a vivência do próximo, já que isso não me afeta. Sim, por que como conhecerei os desafios que mulheres, negros, gays e trans enfrentam, se não saio do meu lugar seguro e ouço o que estes têm a dizer? Como posso perceber se estou sendo opressor, inconveniente, misógino/machista, homofóbico e racista se não tenho a dignidade e a empatia de ver a vida através das lentes do outro ou se me julgo superior? Caso você não siga ou leia quem o tira de sua zona de conforto, faça uma tentativa e surpreenda-se. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Precisamos ter consciência de nossos comportamentos prejudiciais e suas consequências para então mudá-los. A masculinidade tóxica ou frágil nos impede de reconhecermos nossas limitações e quebrarmos esse padrão doentio. Um exemplo de como você pode começar a mudar é não mais ser omisso e se calar diante de casos de injustiça, misoginia, homofobia e racismo. “A intolerância não pode ser tolerada”, já diria o paradoxo da tolerância.. Portanto, manifeste-se diante de falas e ações preconceituosas. Não precisa nem ir muito longe: no grupo de amigos no Zap, no encontro com a galera no bar, com as demais pessoas com as quais você se relaciona, inclusive intimamente. Não seja mais um opressor e sim um defensor. Somos todos seres humanos e temos o direito de ter nossa dignidade respeitada. Por fim, e não menos importante: liberte-se desta prisão. E lembre-se: você não está só. Ouse compartilhar suas emoções com seus amigos (amizades verdadeiras estão sempre de coração aberto para ouvi-lo), busque atendimento psicológico (um profissional capaz de nos ajudar a compreender o caos que muitas vezes impera em nossa mente, ressignificando-o e nos guiando em uma trajetória rumo a uma vida mais feliz). Outra ideia legal é participar de grupos de homens que estão construindo uma nova masculinidade. Um exemplo bacana é o “Papo de Homem”, que se autodefine como “um espaço de formação e transformação para homens” e joga luz sobre temas que precisam ser discutidos, bem como compartilha dicas de como se tornar um homem melhor. Aproveite para abraçar a mudança. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Responsável Técnico: CREFITO 4-99298-F – Luciana Clemente de Abreu

Masculinidade Tóxica

Um paradigma a ser superado Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Querido diário, Recentemente, assisti a um documentário norte-americano que mexeu bem fundo naquela ferida não cicatrizada. Chamado “The Mask You Live In”, ele fala sobre a “máscara da masculinidade” que nós, homens, somos obrigados a vestir, desde pequenos. A verdade é que desde cedo (pelo menos para a minha geração), somos socializados de forma a nunca falarmos sobre nossos medos, alegrias e frustrações, - nem mesmo com nossos pais - de forma que não nos sentimos confortáveis para lidarmos com nossos pensamentos e emoções. Nossos sentimentos são constantemente varridos para debaixo do tapete. Afinal, fomos doutrinados a acreditar que expressar aquilo que dói “é coisa de menina” e “homem não chora”. Mas a real é que mulheres devem se orgulhar de fazer coisas como meninas, sim, e que homens também choram. Entretanto, esse modelo idealizado do que é “ser homem” ainda predomina: uma enquete de âmbito nacional, feita com 19 mil brasileiros, confirma que 72% dos respondentes foram ensinados “a não demonstrar nenhuma fragilidade" e 60%, “a não expressar emoções”. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik O resultado dessa equação é uma realidade sufocante, na qual não criamos consciência sobre nós mesmos e fugimos a qualquer custo de situações que possam nos deixar em uma posição de vulnerabilidade. Mesmo tendo à disposição pessoas de confiança ou acesso a psicólogos que possam nos acolher e nos ouvir. Toda essa frustração pode acabar se convertendo em solidão, irritabilidade, agressividade, acidentes de trânsito, depressão, vícios e, até mesmo, em casos de suicídio. Sem falar na violência, celebrada como espécie de válvula de escape e modo de autoafirmação de virilidade. Tudo para continuarmos adaptados aos moldes aos quais fomos aprisionados e continuar mantendo a postura irretocável de “macho” diante da sociedade. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Até mesmo os conteúdos que consumimos acabam por servir de reforçadores deste tipo de comportamento. Quando tudo o que leio, ouço e assisto é produzido por pessoas parecidas comigo (no meu caso, “branco, hetero, cis e privilegiado”) isso não abre espaço para a diversidade, o que me torna um homem limitado, incapaz de perceber a vivência do próximo, já que isso não me afeta. Sim, por que como conhecerei os desafios que mulheres, negros, gays e trans enfrentam, se não saio do meu lugar seguro e ouço o que estes têm a dizer? Como posso perceber se estou sendo opressor, inconveniente, misógino/machista, homofóbico e racista se não tenho a dignidade e a empatia de ver a vida através das lentes do outro ou se me julgo superior? Caso você não siga ou leia quem o tira de sua zona de conforto, faça uma tentativa e surpreenda-se. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Precisamos ter consciência de nossos comportamentos prejudiciais e suas consequências para então mudá-los. A masculinidade tóxica ou frágil nos impede de reconhecermos nossas limitações e quebrarmos esse padrão doentio. Um exemplo de como você pode começar a mudar é não mais ser omisso e se calar diante de casos de injustiça, misoginia, homofobia e racismo. “A intolerância não pode ser tolerada”, já diria o paradoxo da tolerância.. Portanto, manifeste-se diante de falas e ações preconceituosas. Não precisa nem ir muito longe: no grupo de amigos no Zap, no encontro com a galera no bar, com as demais pessoas com as quais você se relaciona, inclusive intimamente. Não seja mais um opressor e sim um defensor. Somos todos seres humanos e temos o direito de ter nossa dignidade respeitada. Por fim, e não menos importante: liberte-se desta prisão. E lembre-se: você não está só. Ouse compartilhar suas emoções com seus amigos (amizades verdadeiras estão sempre de coração aberto para ouvi-lo), busque atendimento psicológico (um profissional capaz de nos ajudar a compreender o caos que muitas vezes impera em nossa mente, ressignificando-o e nos guiando em uma trajetória rumo a uma vida mais feliz). Outra ideia legal é participar de grupos de homens que estão construindo uma nova masculinidade. Um exemplo bacana é o “Papo de Homem”, que se autodefine como “um espaço de formação e transformação para homens” e joga luz sobre temas que precisam ser discutidos, bem como compartilha dicas de como se tornar um homem melhor. Aproveite para abraçar a mudança. Masculinidade Tóxica: um paradigma a ser superado Freepik Responsável Técnico: CREFITO 4-99298-F – Luciana Clemente de Abreu