Mark Zuckerberg é processado nos EUA devido ao caso Cambridge Analytica

Caso revelado em 2018 expôs uso político de dados de usuários por consultoria que trabalhou na campanha de eleição de Donald Trump. Facebook já havia sido processado, mas agora procuradores acusam diretamente o fundador da rede social. Mark Zuckerberg JN O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, está sendo processado diretamente devido ao escândalo envolvendo a consultoria Cambridge Analytica. O caso, que foi revelado em 2018, envolveu o uso de dados de 87 milhões de usuários, segundo a rede social informou à época. Compartilhe essa notícia no WhatsApp Compartilhe essa notícia no Telegram A Cambridge Analytica usou essas informações a serviço da campanha de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016. O Facebook já havia sido processado devido ao caso em 2018. Na ação apresentada nesta segunda-feira (23), a procuradoria de Washington D.C., nos EUA, alega que Zuckerberg participou pessoalmente de decisões que permitiram à Cambridge Analytica acessar dados pessoais de milhões de usuários. CAMBRIDGE ANALYTICA: Entenda o caso de uso político de dados de usuários do Facebook Como pedir para o Google remover dados pessoais da busca "As evidências mostram que Zuckerberg estava pessoalmente envolvido na falha do Facebook em proteger a privacidade e os dados de seus usuários, levando diretamente ao incidente da Cambridge Analytica", afirmou Racine. O processo afirma que o caso Cambridge Analytica foi resultado da posição de Zuckerberg de liberar dados de usuários da rede social para terceiros. A consultoria conseguiu as informações por meio de um teste de personalidade, que acessava detalhes não só os perfis de quem respondia às perguntas, mas também os de seus amigos. "Essa violação de segurança sem precedentes expôs dezenas de milhões de informações pessoais de americanos, e as políticas de Zuckerberg permitiram um esforço de vários anos para enganar os usuários sobre a extensão da conduta ilícita do Facebook", continuou. A procuradoria de Washington D.C. tentou transformar Zuckerberg em réu em 2021, mas um juiz recusou o pedido por entender que Racine havia demorado muito tempo para acusar o executivo. Racine diz que a nova ação é baseada em centenas de milhares de páginas de documentos que, até então, sua equipe não tinha acesso. Segundo ele, as evidências incluem depoimentos de funcionários do Facebook e de delatores. Relembre o escândalo Em março de 2018, os jornais "New York Times" e "Guardian" revelaram que os dados de usuários do Facebook foram usados sem o consentimento deles pela Cambridge Analytica na campanha de Trump para a presidência dos EUA em 2016. À época, a consultoria era presidida por Steve Bannon, então principal assessor de Trump A Cambridge Analytica conseguiu os dados por meio do teste "This is Your Digital Life", um aplicativo que pedia acesso às informações do perfil dos usuários. O aplicativo foi desenvolvido por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Ele foi usado por centenas de milhares de usuários que receberam pequenas quantias para fazer o teste de personalidade e aceitar ter seus dados coletados para fins acadêmicos. Devido a um padrão da rede social à época, foi possível obter tanto os dados de quem respondeu ao teste, quanto os dos amigos dessas pessoas. A Cambridge Analytica, que não tem relação com a Universidade de Cambridge, teria comprado os dados coletados por Kogan. O escândalo criou dúvidas sobre a transparência e a proteção de dados dos usuários do Facebook. Após o escândalo ser revelado, Zuckerberg reconheceu que a empresa cometeu erros. Em 2019, o Facebook chegou a um acordo com a Comissão Federal de Comércio (FTC) para pagar uma multa recorde de US$ 5 bilhões por violação de privacidade. Depois que o caso da Cambridge Analytica foi revelado, o órgão iniciou para apurar se a rede social havia violado um acordo firmado em 2012, em que se comprometia a cuidar melhor da privacidade dos usuários. Relembre como foi o escândalo envolvendo Cambridge Analytica e o Facebook. Alexandre Mauro/G1

Mark Zuckerberg é processado nos EUA devido ao caso Cambridge Analytica

Caso revelado em 2018 expôs uso político de dados de usuários por consultoria que trabalhou na campanha de eleição de Donald Trump. Facebook já havia sido processado, mas agora procuradores acusam diretamente o fundador da rede social. Mark Zuckerberg JN O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, está sendo processado diretamente devido ao escândalo envolvendo a consultoria Cambridge Analytica. O caso, que foi revelado em 2018, envolveu o uso de dados de 87 milhões de usuários, segundo a rede social informou à época. Compartilhe essa notícia no WhatsApp Compartilhe essa notícia no Telegram A Cambridge Analytica usou essas informações a serviço da campanha de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016. O Facebook já havia sido processado devido ao caso em 2018. Na ação apresentada nesta segunda-feira (23), a procuradoria de Washington D.C., nos EUA, alega que Zuckerberg participou pessoalmente de decisões que permitiram à Cambridge Analytica acessar dados pessoais de milhões de usuários. CAMBRIDGE ANALYTICA: Entenda o caso de uso político de dados de usuários do Facebook Como pedir para o Google remover dados pessoais da busca "As evidências mostram que Zuckerberg estava pessoalmente envolvido na falha do Facebook em proteger a privacidade e os dados de seus usuários, levando diretamente ao incidente da Cambridge Analytica", afirmou Racine. O processo afirma que o caso Cambridge Analytica foi resultado da posição de Zuckerberg de liberar dados de usuários da rede social para terceiros. A consultoria conseguiu as informações por meio de um teste de personalidade, que acessava detalhes não só os perfis de quem respondia às perguntas, mas também os de seus amigos. "Essa violação de segurança sem precedentes expôs dezenas de milhões de informações pessoais de americanos, e as políticas de Zuckerberg permitiram um esforço de vários anos para enganar os usuários sobre a extensão da conduta ilícita do Facebook", continuou. A procuradoria de Washington D.C. tentou transformar Zuckerberg em réu em 2021, mas um juiz recusou o pedido por entender que Racine havia demorado muito tempo para acusar o executivo. Racine diz que a nova ação é baseada em centenas de milhares de páginas de documentos que, até então, sua equipe não tinha acesso. Segundo ele, as evidências incluem depoimentos de funcionários do Facebook e de delatores. Relembre o escândalo Em março de 2018, os jornais "New York Times" e "Guardian" revelaram que os dados de usuários do Facebook foram usados sem o consentimento deles pela Cambridge Analytica na campanha de Trump para a presidência dos EUA em 2016. À época, a consultoria era presidida por Steve Bannon, então principal assessor de Trump A Cambridge Analytica conseguiu os dados por meio do teste "This is Your Digital Life", um aplicativo que pedia acesso às informações do perfil dos usuários. O aplicativo foi desenvolvido por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Ele foi usado por centenas de milhares de usuários que receberam pequenas quantias para fazer o teste de personalidade e aceitar ter seus dados coletados para fins acadêmicos. Devido a um padrão da rede social à época, foi possível obter tanto os dados de quem respondeu ao teste, quanto os dos amigos dessas pessoas. A Cambridge Analytica, que não tem relação com a Universidade de Cambridge, teria comprado os dados coletados por Kogan. O escândalo criou dúvidas sobre a transparência e a proteção de dados dos usuários do Facebook. Após o escândalo ser revelado, Zuckerberg reconheceu que a empresa cometeu erros. Em 2019, o Facebook chegou a um acordo com a Comissão Federal de Comércio (FTC) para pagar uma multa recorde de US$ 5 bilhões por violação de privacidade. Depois que o caso da Cambridge Analytica foi revelado, o órgão iniciou para apurar se a rede social havia violado um acordo firmado em 2012, em que se comprometia a cuidar melhor da privacidade dos usuários. Relembre como foi o escândalo envolvendo Cambridge Analytica e o Facebook. Alexandre Mauro/G1