Mais de 8 mil pessoas prestigiam a 23ª edição do “Paixão e Morte de um Homem Livre”

Chegou ao fim na noite de sexta-feira, 15 de abril, a 23ª edição do espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre”, com a encenação da Paixão de Cristo, em Guabiruba. Encenada em duas noites de apresentação ao público geral, além de uma prévia do evento às pessoas com deficiência, na quarta-feira, dia 13, o […] O post Mais de 8 mil pessoas prestigiam a 23ª edição do “Paixão e Morte de um Homem Livre” apareceu primeiro em Olhar do Vale.

Mais de 8 mil pessoas prestigiam a 23ª edição do “Paixão e Morte de um Homem Livre”

Chegou ao fim na noite de sexta-feira, 15 de abril, a 23ª edição do espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre”, com a encenação da Paixão de Cristo, em Guabiruba. Encenada em duas noites de apresentação ao público geral, além de uma prévia do evento às pessoas com deficiência, na quarta-feira, dia 13, o espetáculo emocionou do começo ao fim quem assistiu. Grande era a expectativa do público, que pode voltar para casa com o sentimento de esperança e reflexão a cada cena interpretada nos palcos, sob a ótica do sonho de uma criança dos tempos atuais inserida na história. “Eu preciso falar com Jesus”, narrava a menina Ângela. E assim tudo começou.

“Paixão e Morte de um Homem Livre” é um espetáculo grandioso. Não só pelo fato de narrar o evento da maior história da humanidade, ou de ter em seu existir mais de 400 pessoas voluntárias envolvidas, no pátio da comunidade São Cristóvão, no bairro Aymoré, em Guabiruba. Traduz a emoção de famílias inteiras que voltam para casa ainda imersas pela história assistida nos palcos. A narrativa emocionou de crianças a idosos, que, pela interpretação da pequena Ângela, também se sentiam parte do espetáculo.

Para o espetáculo acontecer, são diversos os fatores que precisam estar em sincronia para tudo se tornar real.  A diretora teatral, Rejane Habitzreuter Schlindwein, definiu a proporção de “Paixão e Morte de um Homem Livre” à palavra gratidão. Por todos os detalhes que fizeram a diferença, que tornaram a encenação possível e dos aspectos pensados para esta edição. “Temos aqui pessoas que não conhecemos, são novos integrantes que aumentaram a família teatral. Chegar nesse final é poder dizer que juntos alcançamos mais do que esperávamos. Alcançamos nosso objetivo de emocionar, de trazer todo esse sentimento, desde nós que estamos aqui – pessoas do espetáculo, às pessoas que vieram prestigiar”, descreve, carregada de emoção.

Despedida

O término desta edição também marca a conclusão do ciclo de Marcelo do Nascimento como presidente da Associação Artística Cultural São Pedro, organizadora do evento. Publicamente emocionado, Marcelo descreveu este tempo como um período marcado pela emoção que torna tudo real e a sensação é de dever cumprido. “Sabíamos do potencial do nosso elenco, então estávamos tranquilos quanto a isso. Nossa aposta maior era sempre a questão do tempo no decorrer da semana, mas São Pedro sempre abençoou o espetáculo, já que a entidade leva o nome dele. Tivemos duas belas apresentações, só podemos dizer que o evento foi coroado, mais uma vez, com um lindo espetáculo. Acredito que as 4,5 mil pessoas que vieram somente nesta sexta-feira saíram daqui renovadas, com um sentimento novo para a Páscoa que, para nós do elenco, já começou há mais de um mês quando começamos a nos reunir para os ensaios”, afirmou Marcelo, que permanece junto da associação, agora nos bastidores.

Após as apresentações, a atriz convidada desta edição, Mônica Carvalho, que interpretou Maria, mãe de Jesus, falou sobre a experiência de contracenar com mais de 300 voluntários. “É um trabalho lindo, com a participação de pessoas inclusive que nunca pisaram em um palco e que estão ali, pela primeira vez, se dedicando com todo o esforço possível. E o que eu levo daqui é esse carinho, esse comprometimento desses voluntários. E acho que temos que ter esse comprometimento, esse carinho, em tudo o que fizemos. Fui muito bem recebida aqui e saio emocionada”, declarou.

Trabalho que evangeliza

Organização e espiritualidade são palavras que estiveram expressamente integradas ao espetáculo. Momentos antes de subir ao palco, nesta sexta-feira, uma celebração religiosa com todo o elenco. Era Sexta-feira da Paixão do Senhor, o dia que dá sentido ao papel de cada ator e atriz ali envolvido. Presidida pelo pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padre Marilton Nuss, a celebração religiosa preparou cada voluntário para se sentir, ainda mais, inseridos na história de Jesus. “O que marca profundamente esse trabalho que vem acontecendo ao longo de tantos anos é a parte espiritual. Cada ano que passa também se pensa muito a parte espiritual. Tanto é que a cada ensaio, a cada momento que os personagens se encontram para o trabalho, antes de tudo, se reza, e isso é muito forte”, conta o padre.

Dentro deste grande projeto existiu uma capela reservada para a vida de oração dos participantes do evento. “Pude perceber ao longo de todos os momentos dos ensaios a capela sempre visitada. Muitos personagens buscando ali viver um momento de oração. Havia uma equipe grande, que não participou externamente, mas estava lá dentro da capela, rezando para que tudo acontecesse da melhor forma possível, como aconteceu”. O momento litúrgico também contou com a presença do pároco da Paróquia São Luís Gonzaga de Brusque, Pe. Diomar Romaniv, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ). Outros sacerdotes também prestigiaram o espetáculo, ao longo das apresentações.

Emoção dos espectadores

Em ambos os dias de apresentação o público pode se emocionar em diversas cenas, desde o lava-pés, a Santa Ceia, o julgamento e crucificação de Jesus, até a inocência da menina Ângela, narradora desta edição. Entre os espectadores, estava a moradora da cidade de Lontras (SC), Elfi de Melo, 67 anos, que veio assistir ao espetáculo pela primeira vez. “Durante a apresentação vivenciei tudo o que aprendi na minha infância, nas aulas de catequese, e me identifiquei com a personagem. Quando somos crianças não imaginamos a magnitude dessa história, que nos deixa tristes, pelo sofrimento de Jesus, mas ao mesmo tempo muito emocionados, pois tudo o que ele fez foi por amor”, expressou.

Quem participou, também, pela primeira vez foi a família Querino, moradores de Brusque. Estiveram presentes a mãe Sandra, o pai Fabrício e as pequenas Laura e Camila. Sandra já tinha escutado falar muito sobre o espetáculo, mas não tinha ideia da grandeza dele. “Foi emocionante. Na hora que tiraram o corpo de Jesus da cruz e ela ficou vazia me deixou muito comovida. É muito forte”, revelou Sandra.

Já a brusquense Eliane Giacomossi Bertolini, 50 anos, marcou presença no espetáculo pela segunda vez, já que desde que assistiu a peça foi contagiada por um belo sentimento. “Vamos embora com uma sensação de paz, de leveza e com o coração transbordando de emoção. As apresentações nunca são iguais, estão sempre se renovando. É uma experiência linda”, reforçou.

Ângelas para sempre

Sofia Dirschnabel e Julia Batschauer Baron deram vida à voz da menina Ângela, a criança responsável por narrar a 23ª edição do espetáculo. Do nervosismo à confiança, o espetáculo também presenteou a elas uma amizade especial. Juntas, chegaram à sensação do dever cumprido ao término do evento. “Eu e minha família ficamos muito felizes em poder narrar essa história tão linda”, definiu Sofia. Julia conta que recebeu como presente de aniversário o convite para ser, assim como Sofia, a voz que narra a história e interagiu nos palcos. “Eu fiquei tão feliz, que quando a Rejane fez o convite, meu coração se emocionou”, recorda, emocionada.

Este foi o segundo ano que as duas participaram de “Paixão e Morte de um Homem Livre”. Em 2019, eram crianças do povo. Desta vez, a experiência em narrar também simbolizou a conexão da amizade das meninas. “Nos ensaios fomos melhorando juntas, cada vez mais. Foi difícil pra gente, porque narrar como criança é empregar nossa docilidade, esse modo inocente, em uma história complexa. Foi diferente”, contam. Sofia diz que o papel da menina que narrou a história lhe marcou profundamente. “É algo tão bonito de se lembrar. Ângela ficará marcada em minha memória, pois ela me faz ver como trabalhamos tanto para chegar até aqui”. Julia complementa: “Eu também vou sempre lembrar de tudo isso, nunca me esquecerei dela: Ângelas para sempre”.

Ser Jesus

Carlos Woitexen Filho, Jansen Gums e Vagner José Valentim. São os três nomes que deram vida ao personagem principal do espetáculo: Jesus Cristo. Em momentos tão emocionantes, eles entendem, cada vez, que explicar o sentimento de viver a encenação é cada vez mais difícil diante de tamanha emoção sentida. “Explicar isso aqui é muito difícil. Principalmente nesses momentos que são os mais emocionantes, onde encontramos os amigos, familiares. E ver esse público que conseguimos passar uma mensagem ao público, de alguma forma tocar os corações, é o que mais nos motiva já para pensar na próxima edição”, afirma Carlos. “Não é tão fácil contar sempre a mesma história, mas de uma ótica diferente, para que o público consiga sentir emoção sempre quando vem prestigiar a gente, novamente. É uma sensação ímpar ser Jesus. O coração bate mais forte”, conta Vagner Valentim.

No final da apresentação, a menina Ângela finalmente encontra Jesus, por quem procurou durante todo o seu sonho de criança. “No final foi comigo o encontro dela, e é um encontro delicioso para nós, como atores que interpretam Jesus. Porque ela procurou por aquele momento o teatro todo e no final, ele acontece. Encontro este que também já deixa mais uma mensagem para o público. Foi diferente, foi especial”, descreveu Carlos.

Agora, o espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre” dá uma pausa para o merecido descanso dos atores, figurantes, equipe técnica e organizadores. Dentro de quatro meses, uma nova narrativa começa a ser pensada para a próxima edição, que volta aos palcos em 2024.

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