Espólio de Ecko: crescem homicídios em áreas sob influência da milícia

Assassinatos aumentaram 33% nas regiões do estado afetadas pela disputa

Espólio de Ecko: crescem homicídios em áreas sob influência da milícia
Wellington da Silva Braga, o Ecko, conhecido como um dos chefes da Liga da Justiça é um dos procurados pela políciaReprodução

Para a polícia, o homicídio de Caixote não é um caso isolado: faz parte de uma disputa sangrenta pelo espólio criminoso de Wellington da Silva Braga, o Ecko, chefe da maior milícia do Rio, morto em junho passado numa operação da Polícia Civil. Agentes que investigam o grupo paramilitar — que, sob a chefia de Ecko, passou a dominar grande parte da Zona Oeste do Rio e trechos da Baixada Fluminense — ainda não conseguem precisar quantos assassinatos o racha entre os milicianos causou. No entanto, um levantamento feito pelo GLOBO com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostra que a guerra na milícia provocou uma alta de homicídios nas regiões sob influência do grupo — que vai na contramão da queda no número de assassinatos registrada no Estado do Rio.

De junho (mês em que a disputa começou) a novembro, áreas afetadas pela disputa registraram 160 assassinatos — 33% a mais do que no mesmo período do ano passado. Em todo o estado, os homicídios caíram 6%. Os desaparecimentos também avançaram nas regiões onde a milícia de Ecko têm influência: 321 casos foram registrados em 2021, contra 266 no ano passado — um aumento de 20%. Como grupos paramilitares são integrados, em sua maioria, por agentes egressos das forças de segurança que conhecem métodos de investigação, eles costumam sumir com os corpos das vítimas sem deixar vestígios, para não chamar a atenção das autoridades.

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