Ensino Médio SP: escolas mostram vantagens do ensino direcionado

Daniel Guimarães/EducaçãoSP/Divulgação O Novo Ensino Médio SP entra em vigor nas escolas públicas e privadas do estado de forma gradual neste semestre letivo. O novo currículo e formação técnica são algumas das mudanças com que os estudantes passam a se deparar durante o ensino, conforme as diretrizes estabelecidas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Entretanto, algumas instituições privadas já adotam esta modalidade de ensino há algum tempo. Confira a entrevista feita pelo R7 com alguns profissionais da educação, estudantes e pais sobre o impacto e as vantagens do ensino direcionado, que deve ajudar os jovens no momento de escolha para uma carreira profissional. Leia também Ano letivo na rede estadual de São Paulo começa em 2 de fevereiro Capes promove competição para estudantes de alta capacidade Prefeitura convoca 4 mil jovens para qualificação profissional em SP Célia Zarzur é mãe de Lívia Ascania Zarzur, 16 anos, aluna do 3º ano do ensino médio do Colégio Mater Dei, localizado na capital paulista. Para a mãe, faz toda diferença o olhar humanizado e personalizado feito na escola com os estudantes. "Vejo minha filha mais participativa e engajada com as atividades propostas. São aptidões e preferências novas que minha filha desenvolve e aprimora", esclarece. Lívia Ascania Zarzur, 16 anos Divulgação/Arquivo pessoal A famosa "Mão na Massa", nome dado às atividades do colégio, não é apenas uma exclusividade, mas sim uma experiência única e promissora que complementa os estudos das salas de aula com excursões e atividades colaborativas. Segundo a estudante Lívia, foi com a ajuda dos professores através da metodologia de ensino que ela pôde exercitar o auto conhecimento. "Foi justamente neste processo que conseguimos ter ideias claras de quais caminhos trilhar, seja nas áreas de exatas ou humanas", conta. "E isso é motivador, porque saímos do modelo tradicional de ensino das aulas teóricas. É uma fase de liberdade, tenho mais autonomia e segurança nas tomadas de decisões sobre o estudo", finaliza a jovem que sonha estudar design de moda no Brasil. Sueli Cain, diretora do Colégio Mater Dei, explica que a instituição já realizava projetos de ensino parecidos com os itinerários formativos. "Quando tive a oportunidade de conhecer instituições de ensino no exterior e estudar a matriz curricular de cada uma delas, pude trazer este conhecimento e aplicar no Mater Dei, adequando à nossa realidade brasileira", explica. Desde 2018 o colégio oferece o Counselling Educacional, que conta com o apoio profissional do psicólogo Tiago Tamborini. Os estudantes a partir do 9º ano possuem encontros semanais e dinâmicas para que possam ter mais clareza para as escolhas das áreas e afinidades. "Este processo auxilia os alunos a identificarem qual caminho deseja seguir por meio de atividades que possam desenvolver a liderança, o trabalho em grupo, a resolução de problemas e até mesmo a empatia", explica. Beatriz Micalli, 15 anos Divulgação/Arquivo pessoal Já Andrea Pengo é mãe de Beatriz Micalli, 15 anos, aluna do 2º ano do ensino médio no Colégio Internacional Emece, também em São Paulo. Ela explica que o ensino direcionado traz mais autonomia aos estudantes.  "É poder identificar o que eles querem e gostam de fazer, no modo livre sem que se sintam pressionados", diz. Para a filha, não existe aquela monotonia de um ensino tradicional. "Não é uma rotina acadêmica baseada apenas em estudar, provas e se preparar para os vestibulares”, conta. "É como se tivéssemos um respiro com um pensamento maior sobre as coisas e identificar outras possibilidades que vão além dos famosos cursos de medicina e direito", explica a jovem. A coordenadora pedagógica Angélica Larcher, do Emece, pontua duas questões importantes sobre os itinerários formativos no processo de desenvolvimento dos alunos: autonomia e conhecimento. "O estudante pode criar a corresponsabilidade, ou seja, ele também é responsável pelo seu aprendizendo", comenta. "Hoje os jovens são a geração do streaming, eles escolhem ao que assistem, e não dependem do outro para isso. E é justamente o formato do Novo Ensino Médio, a possibilidade do estudante realizar escolhas e estar envolvido com o processo de aprendizagem naturalmente", explica. Itinerário formativo da rede pública estadual undefined O Ensino Médio de São Paulo começou a ser implementado em 2021 para todos os 460 mil estudantes da 1ª série da rede de ensino pública estadual. A proposta curricular aproxima o estudante das transformações da so

Ensino Médio SP: escolas mostram vantagens do ensino direcionado
Daniel Guimarães/EducaçãoSP/Divulgação

O Novo Ensino Médio SP entra em vigor nas escolas públicas e privadas do estado de forma gradual neste semestre letivo. O novo currículo e formação técnica são algumas das mudanças com que os estudantes passam a se deparar durante o ensino, conforme as diretrizes estabelecidas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Entretanto, algumas instituições privadas já adotam esta modalidade de ensino há algum tempo. Confira a entrevista feita pelo R7 com alguns profissionais da educação, estudantes e pais sobre o impacto e as vantagens do ensino direcionado, que deve ajudar os jovens no momento de escolha para uma carreira profissional.

Célia Zarzur é mãe de Lívia Ascania Zarzur, 16 anos, aluna do 3º ano do ensino médio do Colégio Mater Dei, localizado na capital paulista. Para a mãe, faz toda diferença o olhar humanizado e personalizado feito na escola com os estudantes. "Vejo minha filha mais participativa e engajada com as atividades propostas. São aptidões e preferências novas que minha filha desenvolve e aprimora", esclarece.

Lívia Ascania Zarzur, 16 anos
Lívia Ascania Zarzur, 16 anos Divulgação/Arquivo pessoal

A famosa "Mão na Massa", nome dado às atividades do colégio, não é apenas uma exclusividade, mas sim uma experiência única e promissora que complementa os estudos das salas de aula com excursões e atividades colaborativas. Segundo a estudante Lívia, foi com a ajuda dos professores através da metodologia de ensino que ela pôde exercitar o auto conhecimento. "Foi justamente neste processo que conseguimos ter ideias claras de quais caminhos trilhar, seja nas áreas de exatas ou humanas", conta. "E isso é motivador, porque saímos do modelo tradicional de ensino das aulas teóricas. É uma fase de liberdade, tenho mais autonomia e segurança nas tomadas de decisões sobre o estudo", finaliza a jovem que sonha estudar design de moda no Brasil.

Sueli Cain, diretora do Colégio Mater Dei, explica que a instituição já realizava projetos de ensino parecidos com os itinerários formativos. "Quando tive a oportunidade de conhecer instituições de ensino no exterior e estudar a matriz curricular de cada uma delas, pude trazer este conhecimento e aplicar no Mater Dei, adequando à nossa realidade brasileira", explica.

Desde 2018 o colégio oferece o Counselling Educacional, que conta com o apoio profissional do psicólogo Tiago Tamborini. Os estudantes a partir do 9º ano possuem encontros semanais e dinâmicas para que possam ter mais clareza para as escolhas das áreas e afinidades. "Este processo auxilia os alunos a identificarem qual caminho deseja seguir por meio de atividades que possam desenvolver a liderança, o trabalho em grupo, a resolução de problemas e até mesmo a empatia", explica.

Beatriz Micalli, 15 anos
Beatriz Micalli, 15 anos Divulgação/Arquivo pessoal

Já Andrea Pengo é mãe de Beatriz Micalli, 15 anos, aluna do 2º ano do ensino médio no Colégio Internacional Emece, também em São Paulo. Ela explica que o ensino direcionado traz mais autonomia aos estudantes.  "É poder identificar o que eles querem e gostam de fazer, no modo livre sem que se sintam pressionados", diz. Para a filha, não existe aquela monotonia de um ensino tradicional. "Não é uma rotina acadêmica baseada apenas em estudar, provas e se preparar para os vestibulares”, conta. "É como se tivéssemos um respiro com um pensamento maior sobre as coisas e identificar outras possibilidades que vão além dos famosos cursos de medicina e direito", explica a jovem.

A coordenadora pedagógica Angélica Larcher, do Emece, pontua duas questões importantes sobre os itinerários formativos no processo de desenvolvimento dos alunos: autonomia e conhecimento. "O estudante pode criar a corresponsabilidade, ou seja, ele também é responsável pelo seu aprendizendo", comenta. "Hoje os jovens são a geração do streaming, eles escolhem ao que assistem, e não dependem do outro para isso. E é justamente o formato do Novo Ensino Médio, a possibilidade do estudante realizar escolhas e estar envolvido com o processo de aprendizagem naturalmente", explica.

Itinerário formativo da rede pública estadual
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O Ensino Médio de São Paulo começou a ser implementado em 2021 para todos os 460 mil estudantes da 1ª série da rede de ensino pública estadual. A proposta curricular aproxima o estudante das transformações da sociedade, da universidade e do mercado de trabalho, permitindo adquirir todos os conhecimentos básicos e ainda escolher as áreas de mais interesse para aprofundar e ampliar os estudos, sem precisar ficar mais tempo na escola.

Em julho do ano passado, mais de 376 mil estudantes da 1ª série do ensino médio da rede pública estadual (89% do público-alvo) apontaram, via Secretaria Escolar Digital, os itinerários formativos mais atrativos, conforme interesse individual. Quatro deles nas áreas de conhecimento e seis opções integradas entre elas.

Ensino Médio SP começou a ser implementado em 2021 para os alunos da rede de ensino pública estadual
Ensino Médio SP começou a ser implementado em 2021 para os alunos da rede de ensino pública estadual Reprodução / Freepik

Além dessas quatro opções de qualificação através do Novotec Expresso, que permite aprofundamento curricular em uma área do conhecimento e dois certificados profissionalizantes, também será possível que o estudante saia com um diploma de curso técnico e com o do ensino médio, sem aumentar a carga horária nos cursos de: Administração, Marketing, Logística, Recursos Humanos, Comércio, Finanças, Contabilidade, Desenvolvimento de Sistemas, Informática para Internet, Serviços Jurídicos, Serviços Públicos, Guia de Turismo, Design Gráfico, Design de Interiores, Eventos, Nutrição e Dietética, Eletrônica, Eletrotécnica, Química, Análises Clínicas e Farmácia.

Para Gustavo Mendonça, gestor do Ensino Médio de São Paulo na Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), o resultado dialoga com a necessidade de oferecer uma proposta curricular que aproxime os estudantes das transformações da sociedade e do mundo do trabalho. “Através dos itinerários formativos, permitimos um aprendizado alinhado entre todos os conhecimentos básicos e as áreas de mais interesse que façam sentido ao Projeto de Vida individual”, analisa.

Ainda segundo Mendonça, investimentos financeiros foram realizados nas escolas do estados para que materiais pedagógicos pudessem ser adquiridos e estar adequados ao novo formato de ensino.

Apoio internacional

Desde o anúncio com as novas diretrizes de ensino no Brasil, a universidade americana Full Sail vem realizando ações com as escolas dos estados do Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro para ajudar no processo de adaptação e implantação da nova modalidade de ensino, através do Programa Carreira Criativas disponibilizado gratuitamente.

O curso é desenvolvido para os estudantes do ensino médio que estão no momento de escolha da carreira profissional e a descoberta de novas habilidades. O Colégio Renascença, em São Paulo, é um dos que aderiram ao programa disponibilizado pela universidade americana, que permitiu ao corpo docente escolar planejar, adaptar e até mesmo personalizar alguns métodos de ensino-aprendizagem.

O curso possui 10 módulos com 40 horas de conteúdo, disponíveis em português ou inglês, de acordo com a necessidade de cada instituição de ensino que aderir ao programa gratuitamente. As aulas também podem ser customizadas para cada escola, conforme a visão da instituição para os Itinerários Formativos.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), além das disciplinas obrigatórias previstas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), os alunos terão 1.200 horas para os itinerários formativos, aumentando a carga horária total de 2.400 para 3 mil horas durante os três anos de estudos.

*Estagiário do R7 Sob supervisão de Ingrid Alfaya