Donald Trump mandou investigar teoria da conspiração envolvendo Itália

Segundo Miller, sob pedido do chefe de Gabinete, Mark Meadows, ele precisou telefonar para o adido militar norte-americano na Embaixada dos EUA em Roma para abrir uma investigação sobre a teoria de que satélites italianos tinham trocado votos de Trump para Joe Biden.

Donald Trump mandou investigar teoria da conspiração envolvendo Itália

Segundo Miller, sob pedido do chefe de Gabinete, Mark Meadows, ele precisou telefonar para o adido militar norte-americano na Embaixada dos EUA em Roma para abrir uma investigação sobre a teoria de que satélites italianos tinham trocado votos de Trump para Joe Biden.

Por Redação, com ANSA – de Washington

Durante o quinto dia de audiências do comitê que investiga a invasão do Capitólio nos Estados Unidos, ocorrida em 6 de janeiro de 2021, o então ministro da Defesa do governo de Donald Trump, Christopher Miller, revelou que a Casa Branca ordenou uma investigação sobre uma teoria da conspiração que envolvia satélites da Itália e fraude nas eleições.

Quinto dia de audiências teve revelação sobre satélites italianos

Segundo Miller, sob pedido do chefe de Gabinete, Mark Meadows, ele precisou telefonar para o adido militar norte-americano na Embaixada dos EUA em Roma para abrir uma investigação sobre a teoria de que satélites italianos tinham trocado votos de Trump para Joe Biden.

– Esse foi um dos melhores exemplos sobre o que Trump iria fazer para se manter no poder. Iria usar a internet para ter apoio em suas teorias da conspiração – acrescentou Miller.

A informação sobre a investigação também foi confirmada em outro depoimento de quinta-feira, pelo ex-procurador-geral Jeffrey Rosen. Segundo o representante, a teoria infundada era promovida por um ex-funcionário da Inteligência norte-americana.

Os satélites italianos

Outro que fez pressão para a investigação sobre os satélites italianos foi o deputado republicano Scott Perry, que mandou mensagem para Trump pedindo sobre o motivo “que nós não podemos trabalhar com o governo italiano?”.

De acordo com Rosen, ele recebeu um e-mail encaminhado por Meadows, que tinha vindo de Perry, com um link para um vídeo de 20 minutos no YouTube repleto de teorias infundadas sobre as eleições de novembro de 2020. Além disso, o chefe de Gabinete ainda pediu que ele se reunisse com Bradley Johnson, o rapaz que aparecia no vídeo falando as histórias.

– Falei para ele que a coisa toda da Itália tinha sido desmentida, e que se deveria por um fim nisso, e que certamente eu não iria encontrar aquele homem pessoalmente – afirmou Rosen, que disse que recebeu como resposta uma reclamação e a informação de que Johnson “estava trabalhando com Rudy Giuliani (advogado de Trump), e o senhor Giuliani está realmente ofendido que você ache que eles tenham que ir para o escritório do FBI para isso, isso é um insulto”.

Também o ex-procurador-geral-adjunto Richard Donoghue confirmou a história, dizendo que foi pressionado por um dos membros do alto comando do Pentágono à época, Kash Patel, se ele estava investigando a “coisa da Itália”.

Em uma dos documentos apresentados por Donoghue, há a menção de que Trump disse a ele que “vocês não estão seguindo as coisas na internet como eu”.

O representante ainda afirmou que, após dizer para Meadows que essa história era “absurda”, o então chefe da Casa Branca continuou a pressionar, via Departamento de Justiça, a pasta da Defesa para investigar a história.

Nesse momento, Miller acrescentou que recebeu um telefonema do congressista republicano Adam Kinzinger pedindo para “ver o que diabo estava acontecendo em Roma porque estou recebendo todos esses relatórios malucos, doidos, e provavelmente nosso cara lá ‘da base’ [adido militar] sabe mais do que qualquer um”.

As audiências públicas do comitê legislativos que investiga a invasão do Capitólio para contestar o resultado das eleições de 2020 deveriam continuar ainda nesta sexta-feira, mas o presidente do Comitê, Bennie Thompson, informou que por conta da “enxurrada” de novas evidências apresentadas durante as sessões dessa semana, as novas reuniões serão realizadas apenas no fim de julho.