Como vulcão em Tonga mostra vulnerabilidade de cabos submarinos que conectam o mundo

Eles são uma alternativa eficiente e menos dispendiosa às comunicações via satélite, mas também apresentam desvantagens. Imagens de satélite mostram destruição causada por vulcão em Tonga; veja antes e depois A internet que temos em casa e no trabalho é resultado de uma tarefa titânica que começou há mais de um século. Mais de 1 bilhão de metros de cabos submarinos foram instalados desde o século 19 para transferir dados por longas distâncias. E a situação atual em Tonga, a nação insular que teve a comunicação cortada após a erupção de um vulcão submarino, deixa claro o quão vital é essa tecnologia. Compartilhe essa notícia no WhatsApp Compartilhe essa notícia no Telegram Do telégrafo à internet Os primeiros cabos que ligam continentes começaram a ser instalados já no final do século 19 para a rede telegráfica. O primeiro desses grandes sistemas de comunicação entre continentes foi construído para conectar o Reino Unido aos Estados Unidos. Inicialmente, os cabos eram de cobre e serviam para operar o serviço de telégrafo, mas, na era da internet, já na década de 1980, os cabos de fibra óptica começaram a ser instalados. Pita Taufatofua: 'besuntado de Tonga' já arrecadou R$ 1,8 milhão em doações para o país Como é um vulcão submarino e por que foi tão violenta a erupção que gerou tsunami no Pacífico EllaLink: entenda o que muda com o cabo submarino entre Brasil e Portugal Os primeiros cabos submarinos eram de cobre, como este instalado no século 19 para transmitir sinais telegráficos Getty Images via BBC A colocação dos tubos é feita com barcos especializados, que lentamente desenrolam enormes bobinas de cabos que são lançadas no fundo do oceano. Esses cabos contêm vários repetidores, que amplificam o sinal a cada 100 km, aproximadamente. Essas "rodovias submarinas" são capazes de transmitir cerca de 3.840 gigabits por segundo em cada fio de fibra óptica, o equivalente ao conteúdo de 102 DVDs por segundo. E cada cabo, por sua vez, contém vários pares de fios de fibra para aumentar sua capacidade de transmissão. Vulcão em Tonga: 6 gráficos mostram como erupção se expandiu pelo Pacífico Após erupção de vulcão, moradores compararam ilha de Tonga com 'superfície da Lua' Imagens mostram fumaça e cinzas no início da erupção do vulcão em Tonga Cabos submarinos do mundo A TeleGeography, uma consultoria americana de telecomunicações, criou o portal Submarine Cable Map, um mapa interativo de todos os cabos submarinos implantados no mundo com dados de empresas proprietárias como Google, Facebook, Amazon, Verizon ou AT&T. Existem mais de 400 cabos submarinos que percorrem 1,3 milhão de km ao redor do mundo. Uma importante rodovia está no Oceano Atlântico, ligando a Europa e a América do Norte. A Great Pacific Highway, por outro lado, liga os Estados Unidos ao Japão, China e outros países asiáticos. De Miami, vários cabos chegam à América Central e do Sul. No caso do México, por exemplo, a maioria dos cabos parte do leste do país e atravessa o Golfo do México até a Flórida - de lá se conecta à América Central e do Sul. Vulnerável e vital A fibra óptica em cabos submarinos é protegida por várias camadas com materiais como aço, alumínio e polietileno. Ainda assim, houve casos de danos acidentais causados ​​por âncoras de barcos, atividades de pesca em grande escala e até mordidas de tubarão. Eles também são vulneráveis ​​a desastres naturais, especialmente terremotos. Em 2006, um terremoto de magnitude 7,0 atingiu a costa sudoeste de Taiwan. O terremoto e outros tremores menores que o seguiram causaram o corte de oito cabos submarinos, o que afetou severamente os serviços de internet em vários países asiáticos e as transações financeiras, especialmente no mercado de câmbio. Os cabos submarinos são o veículo que mantém o atual mundo conectado funcionando. Eles podem transmitir muito mais informações a um custo muito menor do que os satélites e estão por trás de quase tudo o que fazemos na internet e em nossos telefones (de chamadas a mensagens de texto e downloads de software). Esses cabos não são apenas essenciais para comunicações. Eles também podem adquirir importância política e estratégica. No Reino Unido, por exemplo, o ministro da Defesa, Ben Wallace, anunciou no ano passado que a Marinha Real Britânica vai construir um novo navio de vigilância para proteger os cabos submarinos de internet do país. A vigilância vai incluir drones submarinos autônomos e operados remotamente para procurar interferência estrangeira. Wallace disse à BBC que a Rússia tem um "profundo interesse" em telegramas e que o Reino Unido pode ser "exposto" sem a devida proteção. Tonga incomunicável A importância dos cabos submarinos para as comunicações ficou clara após a erupção de um vulcão no Pacífico em 15 de janeiro. A ilha principal de Tonga ficou coberta de cinzas e há relatos de que a costa oeste do país foi devastada. Até 80 mil pessoas podem ter sido afetadas. A erupção foi tão forte que pôde ser ouvida na No

Como vulcão em Tonga mostra vulnerabilidade de cabos submarinos que conectam o mundo

Eles são uma alternativa eficiente e menos dispendiosa às comunicações via satélite, mas também apresentam desvantagens. Imagens de satélite mostram destruição causada por vulcão em Tonga; veja antes e depois A internet que temos em casa e no trabalho é resultado de uma tarefa titânica que começou há mais de um século. Mais de 1 bilhão de metros de cabos submarinos foram instalados desde o século 19 para transferir dados por longas distâncias. E a situação atual em Tonga, a nação insular que teve a comunicação cortada após a erupção de um vulcão submarino, deixa claro o quão vital é essa tecnologia. Compartilhe essa notícia no WhatsApp Compartilhe essa notícia no Telegram Do telégrafo à internet Os primeiros cabos que ligam continentes começaram a ser instalados já no final do século 19 para a rede telegráfica. O primeiro desses grandes sistemas de comunicação entre continentes foi construído para conectar o Reino Unido aos Estados Unidos. Inicialmente, os cabos eram de cobre e serviam para operar o serviço de telégrafo, mas, na era da internet, já na década de 1980, os cabos de fibra óptica começaram a ser instalados. Pita Taufatofua: 'besuntado de Tonga' já arrecadou R$ 1,8 milhão em doações para o país Como é um vulcão submarino e por que foi tão violenta a erupção que gerou tsunami no Pacífico EllaLink: entenda o que muda com o cabo submarino entre Brasil e Portugal Os primeiros cabos submarinos eram de cobre, como este instalado no século 19 para transmitir sinais telegráficos Getty Images via BBC A colocação dos tubos é feita com barcos especializados, que lentamente desenrolam enormes bobinas de cabos que são lançadas no fundo do oceano. Esses cabos contêm vários repetidores, que amplificam o sinal a cada 100 km, aproximadamente. Essas "rodovias submarinas" são capazes de transmitir cerca de 3.840 gigabits por segundo em cada fio de fibra óptica, o equivalente ao conteúdo de 102 DVDs por segundo. E cada cabo, por sua vez, contém vários pares de fios de fibra para aumentar sua capacidade de transmissão. Vulcão em Tonga: 6 gráficos mostram como erupção se expandiu pelo Pacífico Após erupção de vulcão, moradores compararam ilha de Tonga com 'superfície da Lua' Imagens mostram fumaça e cinzas no início da erupção do vulcão em Tonga Cabos submarinos do mundo A TeleGeography, uma consultoria americana de telecomunicações, criou o portal Submarine Cable Map, um mapa interativo de todos os cabos submarinos implantados no mundo com dados de empresas proprietárias como Google, Facebook, Amazon, Verizon ou AT&T. Existem mais de 400 cabos submarinos que percorrem 1,3 milhão de km ao redor do mundo. Uma importante rodovia está no Oceano Atlântico, ligando a Europa e a América do Norte. A Great Pacific Highway, por outro lado, liga os Estados Unidos ao Japão, China e outros países asiáticos. De Miami, vários cabos chegam à América Central e do Sul. No caso do México, por exemplo, a maioria dos cabos parte do leste do país e atravessa o Golfo do México até a Flórida - de lá se conecta à América Central e do Sul. Vulnerável e vital A fibra óptica em cabos submarinos é protegida por várias camadas com materiais como aço, alumínio e polietileno. Ainda assim, houve casos de danos acidentais causados ​​por âncoras de barcos, atividades de pesca em grande escala e até mordidas de tubarão. Eles também são vulneráveis ​​a desastres naturais, especialmente terremotos. Em 2006, um terremoto de magnitude 7,0 atingiu a costa sudoeste de Taiwan. O terremoto e outros tremores menores que o seguiram causaram o corte de oito cabos submarinos, o que afetou severamente os serviços de internet em vários países asiáticos e as transações financeiras, especialmente no mercado de câmbio. Os cabos submarinos são o veículo que mantém o atual mundo conectado funcionando. Eles podem transmitir muito mais informações a um custo muito menor do que os satélites e estão por trás de quase tudo o que fazemos na internet e em nossos telefones (de chamadas a mensagens de texto e downloads de software). Esses cabos não são apenas essenciais para comunicações. Eles também podem adquirir importância política e estratégica. No Reino Unido, por exemplo, o ministro da Defesa, Ben Wallace, anunciou no ano passado que a Marinha Real Britânica vai construir um novo navio de vigilância para proteger os cabos submarinos de internet do país. A vigilância vai incluir drones submarinos autônomos e operados remotamente para procurar interferência estrangeira. Wallace disse à BBC que a Rússia tem um "profundo interesse" em telegramas e que o Reino Unido pode ser "exposto" sem a devida proteção. Tonga incomunicável A importância dos cabos submarinos para as comunicações ficou clara após a erupção de um vulcão no Pacífico em 15 de janeiro. A ilha principal de Tonga ficou coberta de cinzas e há relatos de que a costa oeste do país foi devastada. Até 80 mil pessoas podem ter sido afetadas. A erupção foi tão forte que pôde ser ouvida na Nova Zelândia, a cerca de 2.300 quilômetros de Tonga. Horas depois, as linhas telefônicas e de internet de Tonga saíram do ar devido a um cabo submarino danificado, deixando quase incomunicáveis os 105 mil habitantes das ilhas. Tonga reestabelece linhas telefônicas, mas comunicação via internet pode levar semanas para voltar "Estamos recebendo informações incompletas, mas parece que o cabo submarino foi cortado", disse Dean Veverka, diretor de rede da empresa Southern Cross Cable Network, à agência de notícias AFP. Reparar cabos submarinos danificados é uma tarefa cara e pode levar semanas. Navios especiais são necessários para levantar o cabo do fundo do oceano e realizar reparos na superfície, removendo a seção danificada e emendando o restante. "Pode levar até duas semanas para consertar o cabo. O navio de instalação de cabos mais próximo está em Port Moresby", disse Veverska, referindo-se à capital de Papua Nova Guiné, a mais de 4.000 km de Tonga. A Southern Cross está prestando assistência técnica à empresa Tonga Cable Limited, proprietária do cabo de 872 km que liga Tonga a Fiji, responsável por conectar o país ao resto do mundo, segundo a agência AFP.