Amapá têm queda de 10,3% no nº de assassinatos nos primeiros três meses de 2022

Ferramenta criada pelo g1 acompanha os assassinatos mês a mês. Cabeleireiro é morto com 10 facadas e tem celular e dinheiro roubados, em Macapá Decipe/Divulgação O número de assassinatos no Amapá registrou uma queda de 10,3% no primeiro trimestre deste ano, segundo o índice nacional de homicídios criado pelo g1, que compara com o mesmo período de 2021. Foram 52 assassinatos de janeiro a março de 2022, contra os 58 registrados no ano passado. Estão contabilizadas as vítimas dos seguintes crimes: homicídios dolosos (incluindo os feminicídios) - 45 casos latrocínios (roubos seguidos de morte) - 7 casos lesões corporais seguidas de morte - nenhuma vítima no período Um dos casos registrados no primeiro trimestre deste ano foi o que vitimou o tenente da Polícia Militar Kleber Santana. Ele foi morto após uma discussão no trânsito, dentro do carro onde estava com o filho de 3 anos, no dia 24 de fevereiro, em Macapá. O crime chamou a atenção porque o atirador também era um policial, da reserva. O suspeito virou réu pelo crime em março. Homicídio do tenente Kleber dos Santos Santana Rede Amazônica/Reprodução Dentre os 7 latrocínios, um aconteceu em 10 de março, na Zona Sul da capital. Dois homens mataram com pelo menos 10 facadas o cabeleireiro Lúcio Carlos Santana, de 54 anos, na frente da casa da mãe dele. A vítima teve ainda o celular e dinheiro levados pela dupla. O levantamento é feito com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. No cenário nacional, foram 10,2 mil assassinatos nesse período, apontando uma baixa de 6%. Veja a evolução de cada estado entre 2021 e 2022 Elcio Horiuchi/g1 Em 2021, o Brasil teve uma queda de 7% no número de assassinatos, como apontou um levantamento exclusivo do Monitor da Violência. No Amapá, no entanto, entre 2020 e o ano passado, o estado teve uma alta de 19%, em meio à disputa entre facções criminosas. O levantamento, que compila os dados mês a mês, faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do g1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. PÁGINA ESPECIAL: Mapa mostra assassinatos mês a mês no país METODOLOGIA: Monitor da Violência Acre teve a maior queda entre os estados: 30%. Foi um desempenho generalizado. Os dados apontam que todas as regiões do país tiverem baixa nos indicadores de mortes violentas intencionais no início deste ano. A queda mais expressiva foi a da região Sudeste, com uma diminuição de mais de 10%. Todos os estados tiveram diminuição, mas a queda foi puxada principalmente pelo Rio de Janeiro (-20%). Cinco estados tiveram altas nesse período: Rondônia (48%), Mato Grosso do Sul (17%), Pernambuco (16,3%), Mato Grosso (15%), Piauí (8%). Mesmo com os aumentos pontuais de violência em alguns estados, a queda no primeiro trimestre de 2022 aponta que o país está seguindo a mesma tendência nacional de 2021, quando o Brasil registrou uma baixa de 7% nos assassinatos. Entenda a queda dos homicídios no Brasil em 2021 Pernambuco é o estado com a maior taxa de crimes violentos do país: 10 mortes por cada 100 mil habitantes. No Amapá, o índice foi de 5,9 mortos a cada 100 mil moradores nos três primeiros meses do ano. Taxa de mortes violentas por estado nos primeiros trimestres de 2021 e 2022, segundo o Monitor da Violência Elcio Horiuchi/g1 Os especialistas do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elencam alguns pontos para explicar os números e a diminuição da violência: Mudança na dinâmica do mercado de drogas brasileiro: "Mercados criminosos equilibrados, com competidores que aprenderam a conviver entre si ou que descobriram formas de regulamentar a relação entre eles, tendem a reduzir o total de conflitos fatais”, diz Bruno Paes Manso, do NEV-USP. Maior controle e influência dos governos sobre os criminosos: "O próprio modelo de negócio criado por esses grupos tornou as lideranças das diversas gangues prisionais mais vulneráveis e sujeitas a pressões dos governos”, diz Bruno. Apaziguamento de conflitos entre facções: "Entre 2016 e 2017 vivemos uma guerra entre dois grupos criminosos, o PCC e o Comando Vermelho, e essa guerra se alastrou por todo o país, especialmente em estados do Norte e Nordeste. A gente tem um apaziguamento desse conflito em alguns territórios e, em outro, tem um certo monopólio de algum grupo. Quando um grupo único vai se consolidando no território, tende a reduzir o conflito", diz Samira Bueno, do FBSP. Criação de programas de focalização e outras políticas públicas: "Várias unidades da federação adotaram, ao longo dos anos 2000 e 2010, programas de redução de homicídios pautados na focalização de ações nos territórios. O Pacto Pela Vida, em Pernambuco, o Estado Presente, no Espírito Santo, e o Ceará Pacífico, no Ceará, são exemplos de projetos que buscaram integrar ações policiais e medidas de caráter preventivo", afirmam Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, do FBSP. Redução do número de jovens na

Amapá têm queda de 10,3% no nº de assassinatos nos primeiros três meses de 2022

Ferramenta criada pelo g1 acompanha os assassinatos mês a mês. Cabeleireiro é morto com 10 facadas e tem celular e dinheiro roubados, em Macapá Decipe/Divulgação O número de assassinatos no Amapá registrou uma queda de 10,3% no primeiro trimestre deste ano, segundo o índice nacional de homicídios criado pelo g1, que compara com o mesmo período de 2021. Foram 52 assassinatos de janeiro a março de 2022, contra os 58 registrados no ano passado. Estão contabilizadas as vítimas dos seguintes crimes: homicídios dolosos (incluindo os feminicídios) - 45 casos latrocínios (roubos seguidos de morte) - 7 casos lesões corporais seguidas de morte - nenhuma vítima no período Um dos casos registrados no primeiro trimestre deste ano foi o que vitimou o tenente da Polícia Militar Kleber Santana. Ele foi morto após uma discussão no trânsito, dentro do carro onde estava com o filho de 3 anos, no dia 24 de fevereiro, em Macapá. O crime chamou a atenção porque o atirador também era um policial, da reserva. O suspeito virou réu pelo crime em março. Homicídio do tenente Kleber dos Santos Santana Rede Amazônica/Reprodução Dentre os 7 latrocínios, um aconteceu em 10 de março, na Zona Sul da capital. Dois homens mataram com pelo menos 10 facadas o cabeleireiro Lúcio Carlos Santana, de 54 anos, na frente da casa da mãe dele. A vítima teve ainda o celular e dinheiro levados pela dupla. O levantamento é feito com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. No cenário nacional, foram 10,2 mil assassinatos nesse período, apontando uma baixa de 6%. Veja a evolução de cada estado entre 2021 e 2022 Elcio Horiuchi/g1 Em 2021, o Brasil teve uma queda de 7% no número de assassinatos, como apontou um levantamento exclusivo do Monitor da Violência. No Amapá, no entanto, entre 2020 e o ano passado, o estado teve uma alta de 19%, em meio à disputa entre facções criminosas. O levantamento, que compila os dados mês a mês, faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do g1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. PÁGINA ESPECIAL: Mapa mostra assassinatos mês a mês no país METODOLOGIA: Monitor da Violência Acre teve a maior queda entre os estados: 30%. Foi um desempenho generalizado. Os dados apontam que todas as regiões do país tiverem baixa nos indicadores de mortes violentas intencionais no início deste ano. A queda mais expressiva foi a da região Sudeste, com uma diminuição de mais de 10%. Todos os estados tiveram diminuição, mas a queda foi puxada principalmente pelo Rio de Janeiro (-20%). Cinco estados tiveram altas nesse período: Rondônia (48%), Mato Grosso do Sul (17%), Pernambuco (16,3%), Mato Grosso (15%), Piauí (8%). Mesmo com os aumentos pontuais de violência em alguns estados, a queda no primeiro trimestre de 2022 aponta que o país está seguindo a mesma tendência nacional de 2021, quando o Brasil registrou uma baixa de 7% nos assassinatos. Entenda a queda dos homicídios no Brasil em 2021 Pernambuco é o estado com a maior taxa de crimes violentos do país: 10 mortes por cada 100 mil habitantes. No Amapá, o índice foi de 5,9 mortos a cada 100 mil moradores nos três primeiros meses do ano. Taxa de mortes violentas por estado nos primeiros trimestres de 2021 e 2022, segundo o Monitor da Violência Elcio Horiuchi/g1 Os especialistas do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elencam alguns pontos para explicar os números e a diminuição da violência: Mudança na dinâmica do mercado de drogas brasileiro: "Mercados criminosos equilibrados, com competidores que aprenderam a conviver entre si ou que descobriram formas de regulamentar a relação entre eles, tendem a reduzir o total de conflitos fatais”, diz Bruno Paes Manso, do NEV-USP. Maior controle e influência dos governos sobre os criminosos: "O próprio modelo de negócio criado por esses grupos tornou as lideranças das diversas gangues prisionais mais vulneráveis e sujeitas a pressões dos governos”, diz Bruno. Apaziguamento de conflitos entre facções: "Entre 2016 e 2017 vivemos uma guerra entre dois grupos criminosos, o PCC e o Comando Vermelho, e essa guerra se alastrou por todo o país, especialmente em estados do Norte e Nordeste. A gente tem um apaziguamento desse conflito em alguns territórios e, em outro, tem um certo monopólio de algum grupo. Quando um grupo único vai se consolidando no território, tende a reduzir o conflito", diz Samira Bueno, do FBSP. Criação de programas de focalização e outras políticas públicas: "Várias unidades da federação adotaram, ao longo dos anos 2000 e 2010, programas de redução de homicídios pautados na focalização de ações nos territórios. O Pacto Pela Vida, em Pernambuco, o Estado Presente, no Espírito Santo, e o Ceará Pacífico, no Ceará, são exemplos de projetos que buscaram integrar ações policiais e medidas de caráter preventivo", afirmam Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, do FBSP. Redução do número de jovens na população: "Tem a ver com as mudanças demográficas, algo que a gente já vem apontando há alguns anos no Atlas da Violência, que é a reduçao do número de jovens na populacão. É sabido que a maior parte da violência letal atinge jovens do sexo masculino. E o Brasil esta diante de uma grande mudança demográfica", afirma Samira. Criação do SUSP e mudanças nas regras de repasses: "Em 2018, o governo federal conseguiu aprovar, depois de tramitar por 14 anos, a lei que criou o Sistema Único de Segurança Pública, responsável por regulamentar a Constituição de 1988 no que diz respeito à integração e eficiências das instituições de segurança pública. Ainda em 2018, (...) houve uma mudança nas regras de repasse de recursos arrecadados pelas Loterias da Caixa que, na prática, fez com que cerca de 80% de todo o dinheiro da segurança repassado para estados e Distrito Federal de 2019 a 2021 tenha as loterias como origem e, com isso, novos recursos puderam ser destinados à área", dizem Samira e Renato. Índice nacional de homicídios A ferramenta criada pelo g1 permite o acompanhamento dos dados de vítimas de crimes violentos mês a mês no país. Estão contabilizadas as vítimas de homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais. Jornalistas do g1 espalhados pelo país solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso à Informação, seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os dados coletados mês a mês pelo g1 não incluem as mortes em decorrência de intervenção policial. Isso porque há uma dificuldade maior em obter esses dados em tempo real e de forma sistemática com os governos estaduais. O balanço fechado do ano de 2021 foi publicado no dia 5 de maio e o Amapá apareceu pelo 3º ano seguido com a maior taxa do país de pessoas mortas pela polícia. Veja o plantão de últimas notícias do G1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá: